Cancro de cabeça e pescoço na era Pós-COVID: os efeitos da pandemia ainda se mantêm?

Autores

DOI:

https://doi.org/10.34631/sporl.3160

Palavras-chave:

Cancro de Cabeça e Pescoço, COVID

Resumo

Introdução: O Cancro de Cabeça e Pescoço (CCP) representa o 7.º cancro mais comum mundialmente, sendo o 5.º no sexo masculino. A pandemia COVID, e a disrupção dos cuidados de saúde decorrente, associou-se à diminuição da identificação, e consequente apresentação mais tardia, dos CCP. O presente estudo visa perceber se o impacto da pandemia se refletiu no período pós-COVID, nomeadamente conduzindo a apresentações mais tardias e com maior mortalidade associada.   Materiais e Métodos: Estudo retrospectivo observacional que incluiu todos os doentes com diagnóstico de CCP, no Serviço de Otorrinolaringologia e Cirurgia de Cabeça e Pescoço da ULSSA, entre janeiro de 2020 e dezembro de 2025. Foi realizada colheita de informação demográfica e clínica através do processo clínico eletrónico, sendo os doentes estadiados de acordo com as guidelines da American Joint Committee on Cancer de 2025, sendo subdivididos em Grupo 1 (estadio 0 (quando aplicável), I e II) e Grupo 2 (estadio III e IV) para efeitos estatísticos. Os anos COVID foram definidos entre 10 de março de 2020 e 30 de setembro de 2022, momento em que foi decretado o final do estado de alerta em Portugal.   Resultados: Um total de 277 doentes foi incluído no presente estudo, dos quais 89.5% (n= 248) eram do sexo masculino, tendo uma média de idades de 63.49 anos (DP 10.570). Não foi encontrada diferença estatisticamente significativa entre o número de doentes admitidos pelo SU versus Consulta entre os diferentes períodos (p= 0.226). Nos doentes admitidos pela consulta, o tempo entre referenciação e consulta foi significativamente inferior durante o período COVID (p= 0.009), não se encontrando diferença estatisticamente significativa entre o tempo entre primeira observação e diagnóstico (p= 0.328) e entre diagnóstico e início de tratamento (p= 0.818). Não existiu, também, diferença estatisticamente significativa entre o número de doentes diagnosticados com estadio III-IV (p= 0.191) entre grupo COVID e Pós-COVID, com a realização de regressão logística binária a demonstrar a não associação entre o ano de diagnóstico e o estadio de apresentação. A percentagem de doentes que morreu antes de completar 1 ano de diagnóstico foi significativamente superior durante os anos COVID (p= 0.042), com uma regressão logística binária a demonstrar uma relação estatisticamente significativa entre o ano de diagnóstico e a mortalidade ao 1 ano (OR por ano 0.70, 95% IC 0.50- 0.98, p= 0.037).   Conclusão: Apesar do impacto negativo da pandemia COVID nos serviços de saúde, a adaptação na prestação de cuidados durante este período permitiu uma minimização dos efeitos potencialmente negativos da pandemia, não existindo apresentação mais tardia ou aumento da mortalidade ao 1 ano de diagnóstico no período pós-COVID.

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Publicado

10-09-2026

Como Citar

Serdoura Alves, C., Feliciano, T., Dias, J., Santos, M., & Lino, J. (2026). Cancro de cabeça e pescoço na era Pós-COVID: os efeitos da pandemia ainda se mantêm?. Revista Portuguesa De Otorrinolaringologia-Cirurgia De Cabeça E Pescoço, 64(3), 245–253. https://doi.org/10.34631/sporl.3160

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Artigo Original