Preditores de distúrbios da deglutição na síndrome de apneia obstrutiva do sono

Autores

  • Luís André Baptista CHLO https://orcid.org/0009-0008-3475-0308
  • Fátima Cruz Unidade Local de Saúde de Lisboa Ocidental, Lisboa, Portugal
  • Sara Custódio Unidade Local de Saúde de Lisboa Ocidental, Lisboa, Portugal
  • Rui Cabral Unidade Local de Saúde de Lisboa Ocidental, Lisboa, Portugal
  • David Nascimento Unidade Local de Saúde de Lisboa Ocidental, Lisboa, Portugal
  • Gonçalo Silva Unidade Local de Saúde de Lisboa Ocidental, Lisboa, Portugal
  • Gonçalo Bernardes Unidade Local de Saúde de Lisboa Ocidental, Lisboa, Portugal
  • Eva Brycsh Unidade Local de Saúde de Lisboa Ocidental, Lisboa, Portugal
  • Joana Guincho Unidade Local de Saúde de Lisboa Ocidental, Lisboa, Portugal
  • Carlota Sousa Unidade Local de Saúde de Lisboa Ocidental, Lisboa, Portugal
  • Pedro Escada Unidade Local de Saúde de Lisboa Ocidental, Lisboa, Portugal

DOI:

https://doi.org/10.34631/sporl.3123

Palavras-chave:

Síndrome de apneia obstrutiva do sono, disfagia, deglutition handicap index

Resumo

Introdução: A síndrome da apneia obstrutiva do sono (SAOS) é um distúrbio do sono prevalente, caracterizado pelo colapso recorrente das vias aéreas superiores, levando a hipóxia intermitente e fragmentação do sono. Embora a SAOS esteja associada a múltiplas comorbidades sistémicas, o seu impacto na função de deglutição permanece subestimado. Este estudo tem como objetivo comparar as características de deglutição entre pacientes com SAOS e controles e identificar fatores de risco e preditores da gravidade dos distúrbios de deglutição.
Métodos: Foi realizado um estudo caso-controle e transversal com pessoas com SAOS moderada a grave (PWSAOS) e controles pareados por idade e sexo. A função de deglutição foi avaliada através da avaliação endoscópica da deglutição por fibra ótica, da Escala de Severidade e Resultado da Disfagia (DOSS) e do Índice de Incapacidade da Disfagia (DHI). Foram aplicadas estatísticas descritivas, testes de normalidade, comparações entre grupos (teste t, teste U de Mann-Whitney, teste Qui-quadrado, teste exato de Fisher) e uma regressão ordinal, com significância definida como p ≤ 0,05.
Resultados: Cinquenta indivíduos (PWSAOS n = 25 e controles n = 25) foram incluídos, com uma idade média de 50 ± 1,55 anos. Deficiências de deglutição foram identificadas em 60% dos PWSAOS, comparado a 28% dos controles (p = 0,023). As deficiências mais frequentes foram o acúmulo de resíduos faríngeos (52% nos PWSAOS vs. 24% nos controles; p = 0,041), seguido por escape posterior prematuro (12% vs. 4%; p = 0,297). Os PWSAOS apresentaram escores DHI significativamente mais elevados do que os controles (p = 0,024). A percentagem de tempo de registo com SpO2 abaixo de 90% (T90) é um preditor negativo da gravidade dos distúrbios de deglutição.
Conclusão: As alterações da deglutição são comuns nos PWSAOS, com acúmulo de resíduos faríngeos significativamente mais elevado e maior impacto na vida diária em comparação com os controles. Estes achados destacam a importância da avaliação de deglutição nesta população.

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Publicado

07-03-2026

Como Citar

Baptista, L. A., Cruz, F., Custódio, S., Cabral, R., Nascimento, D., Silva, G., … Escada, P. (2026). Preditores de distúrbios da deglutição na síndrome de apneia obstrutiva do sono. Revista Portuguesa De Otorrinolaringologia-Cirurgia De Cabeça E Pescoço, 64(1), 27–35. https://doi.org/10.34631/sporl.3123

Edição

Secção

Artigo Original