Otorráquia como complicação tardia de cirurgia otológica

Autores

  • Joana Maria Soares Ferreira Serviço de Otorrinolaringologia, Centro Hospitalar Vila Nova de Gaia e Espinho, Portugal https://orcid.org/0000-0002-2144-823X
  • Leandro Ribeiro Serviço de Otorrinolaringologia, Centro Hospitalar Vila Nova de Gaia e Espinho, Portugal
  • Nuno Medeiros Serviço de Otorrinolaringologia, Centro Hospitalar Vila Nova de Gaia e Espinho, Portugal https://orcid.org/0000-0003-3127-9406
  • Cristina Aguiar Serviço de Otorrinolaringologia, Centro Hospitalar Vila Nova de Gaia e Espinho, Portugal https://orcid.org/0000-0001-5049-9565
  • António Faria de Almeida Serviço de Otorrinolaringologia, Centro Hospitalar Vila Nova de Gaia e Espinho, Portugal
  • Manuel Sousa Serviço de Otorrinolaringologia, Centro Hospitalar Vila Nova de Gaia e Espinho, Portugal
  • Óscar Alves Serviço de Neurocirurgia, Centro Hospitalar Vila Nova de Gaia e Espinho, Portugal
  • Artur Condè Serviço de Otorrinolaringologia, Centro Hospitalar Vila Nova de Gaia e Espinho, Portugal

DOI:

https://doi.org/10.34631/sporl.995

Palavras-chave:

otorreia de líquido cefalorraquidiano, meningoencefalocelo craniano, procedimentos cirúrgicos otológicos

Resumo

Apresentamos o caso de uma fístula de líquido cefalorraquidiano e meningoencefalocelo como sequelas tardias de cirurgia otológica. Este artigo tem como objetivo alertar para esta condição clínica rara, as suas manifestações, diagnóstico e tratamento, assim como para as potenciais complicações do seu não reconhecimento precoce. Descrevemos o caso de um homem de 81 anos, com antecedentes de cirurgia otológica há 20 anos, que recorreu ao serviço de urgência por otorreia com um mês de evolução e refratária ao tratamento médico. Objetivamente, apresentava uma otorreia incolor e que aumentava com manobra de valsava, associada e uma lesão polipoide a ocupar o canal auditivo externo. Foi realizada uma tira-teste que foi positiva para glicose. A TC dos ouvidos e a RMN craniana revelaram a presença de meningoencefalocelo na cavidade timpânica associado a um defeito osteo-dural ao nível do tégmen timpani. O doente foi tratado cirurgicamente, com sucesso, através de uma abordagem combinada envolvendo uma equipa multidisciplinar.

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Publicado

2022-06-07

Como Citar

Soares Ferreira, J. M. ., Ribeiro, L. ., Medeiros, N., Aguiar, C. ., Faria de Almeida, A., Sousa, M., Alves, Óscar, & Condè, A. (2022). Otorráquia como complicação tardia de cirurgia otológica. Revista Portuguesa De Otorrinolaringologia E Cirurgia De Cabeça E Pescoço, 60(2), 125-130. https://doi.org/10.34631/sporl.995

Edição

Secção

Caso Clínico