Cirurgia estapédica primária e de revisão: Estudo comparativo dos resultados e análise de preditores para cirurgia de revisão

Autores

DOI:

https://doi.org/10.34631/sporl.841

Palavras-chave:

Otosclerose, Cirurgia Estapédica, Cirurgia Estapédica de Revisão

Resumo

Objetivos: Compara os resultados audiométricos e complicações cirúrgicas entre a cirurgia estapédica primária (CEP) e de revisão (CER) e estabelecer possíveis fatores preditivos de necessidade de revisão.

Desenho do Estudo: Estudo transversal, descritivo e analítico, com recolha retrospetiva de dados.

Métodos: Os pacientes foram selecionados do total das cirurgias estapédicas realizadas nos últimos 12 anos e distribuídos em dois grupos: um grupo constituído por 178 ouvidos submetidos unicamente a CEP (grupo A) e 22 ouvidos que necessitaram de CER (grupo B).

Resultados: Verificamos que, em ambos os grupos, houve uma redução significativa no intervalo aéreo-ósseo (IAO) médio no pós-operatório. No entanto, no grupo B o IAO no pós-operatório foi, em média, 10,4 dB superior ao IAO no grupo A (p<0,05). Obtivemos sucesso cirúrgico em 52,8% e 27,3% dos casos no grupo A e grupo B, respetivamente. A ausência de erosão da longa apófise da bigorna e idades mais jovens à data da revisão foram associadas a melhores resultados audiométricos da CER. Adicionalmente, a idade do paciente à data da CEP, o IAO pré e pós-CEP revelaram-se como fatores preditivos independentes de necessidade de cirurgia de revisão.

Conclusões: Quando surge a necessidade de CER após insucesso da CEP, a melhoria da acuidade auditiva pode ser conseguida, sem aumento significativo das complicações pós-operatórias. No entanto, é imperativo haver um planeamento cirúrgico e uma gestão de expectativas previamente à cirurgia de revisão.

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Publicado

2020-10-01

Como Citar

Azevedo, C., Miranda, D., Duarte, M. A., Milhazes Mar, F., Vilarinho, S., & Dias, L. (2020). Cirurgia estapédica primária e de revisão: Estudo comparativo dos resultados e análise de preditores para cirurgia de revisão. Revista Portuguesa De Otorrinolaringologia E Cirurgia De Cabeça E Pescoço, 58(3), 105-113. https://doi.org/10.34631/sporl.841

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