Sutura de pilares amigdalinos: benefício adicional à adenoamigdalectomia em crianças com SAOS? Um estudo prospetivo

Autores

  • Ana Isabel C. Gonçalves Hospital Pedro Hispano, Portugal
  • André Carção Hospital Pedro Hispano, Portugal
  • Delfim Duarte Hospital Pedro Hispano, Portugal
  • Ditza de Vilhena Hospital Pedro Hispano, Portugal

DOI:

https://doi.org/10.34631/sporl.825

Palavras-chave:

adenoamigdalectomia, crianças, apneia obstrutiva do sono, distúrbios do sono, sutura de pilares

Resumo

Objetivos: Avaliar o impacto, a curto e médio prazo, da sutura de pilares amigdalinos nos resultados pós-operatórios das crianças com patologia obstrutiva do sono submetidas a adenoamigdalectomia total bilateral. 

Material e Métodos: Estudo prospetivo das crianças submetidas a adenoamigdalectomia entre janeiro e julho de 2019 por hipertrofia adenoamigdalina associada a sintomas compatíveis com síndrome de apneia obstrutiva do sono (SAOS). As crianças foram, alternadamente, incluídas no grupo intervenção (sutura de pilares amigdalinos) ou no grupo controlo (sem sutura de pilares). Os resultados avaliados consistiram na melhoria/resolução da SAOS avaliada através do Questionário Pediátrico do Sono (QPS), na taxa de complicações após cirurgia e na intensidade da dor pós-operatória, avaliada através da Escala de Faces de Wong-Baker e do número de dias de analgesia e de dieta líquida. 

Resultados: Incluídas 50 crianças, 25 por grupo, entre os 3 e 17 anos. Foi encontrada diferença estatisticamente significativa entre o score total médio do QPS aos 1.º, 2.º e 6.º meses pós-operatórios entre os 2 grupos (1.º mês: p< 0,001; 2.º mês: p<0,001; 6.º mês: p=0,042), sendo que o grupo controlo teve sempre scores totais médios superiores ao grupo intervenção. Existiu diferença estatisticamente significativa entre a média da dor ao 1.º dia pós-operatório entre os grupos (p<0,001), com uma média de intensidade de dor inferior no grupo intervenção. Houve também diferença significativa entre a média do número de dias de analgesia e de dieta líquida nos 2 grupos estudados (p=0,004 e p=0,019, respetivamente), sendo o grupo intervenção aquele que registou menor número de dias de analgesia e de dieta líquida. A taxa de hemorragia pós-amigdalectomia foi de 16% em cada grupo. 

Conclusões: O nosso estudo mostra um evidente benefício adicional da sutura de pilares amigdalinos à adenoamigdalectomia em crianças com SAOS, conferindo benefício significativo na melhoria da patologia obstrutiva do sono, logo desde o 1.º mês e mantendo-se nos 2.º e 6.º meses pós-operatórios. Também mostrou benefício na dor avaliada ao 1.º dia pós-operatório e na diminuição do número de dias de analgesia e de dieta líquida. Sem diferenças nas complicações pós-operatórias entre os grupos. 

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Publicado

2020-12-05

Como Citar

Gonçalves, A. I. C., Carção, A. ., Duarte, D., & Vilhena , D. de. (2020). Sutura de pilares amigdalinos: benefício adicional à adenoamigdalectomia em crianças com SAOS? Um estudo prospetivo. Revista Portuguesa De Otorrinolaringologia E Cirurgia De Cabeça E Pescoço, 58(4), 189-198. https://doi.org/10.34631/sporl.825

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