Complicações orbitárias de rinosinusite aguda em idade pediátrica: 10 anos da nossa experiência - Oportunidade para um protocolo terapêutico

  • Mariana Calha Serviço de Otorrinolaringologia, Hospital de Santa Maria
  • João Levy Serviço de Otorrinolaringologia, Hospital de Santa Maria
  • Pedro Rodrigues Serviço de Otorrinolaringologia, Hospital de Santa Maria
  • Victor Gouveia Serviço de Otorrinolaringologia, Hospital de Santa Maria
  • Vitor Oliveira Serviço de Otorrinolaringologia, Hospital de Santa Maria
  • Leonel Luís Serviço de Otorrinolaringologia, Hospital de Santa Maria
Palavras-chave: complicações orbitárias, Chandler, rinosinusite aguda

Resumo

Objectivos: A rinossinusite aguda constitui um diagnóstico muito frequente na idade pediátrica. Apesar de na maior parte dos doentes evoluir favoravelmente, menos frequentemente podem ocorrer complicações, de onde se destacam as complicações orbitárias, que mesmo sob tratamento atempado e agressivo podem constituir um perigo eminente à visão. Este estudo tem como objectivo analisar a realidade portuguesa de um hospital terciário durante 10 anos, discutindo os resultados e fazendo uma revisão da literatura. Propomos ainda um protocolo de orientação terapêutica no caso de rinossinusite aguda pediátrica com complicações orbitárias.

Material e Métodos: Realizámos um estudo retrospectivo descritivo de todos os casos de complicações orbitárias e ou periorbitárias rinogénicas em idade pediátrica tratados entre Janeiro de 2007 e Setembro de 2017 num hospital terciário. Analisámos os dados demográficos, sintomatologia à apresentação, achados imagiológicos, antibioterapia escolhida, eventual necessidade de tratamento cirúrgico e dias de internamento. Propusemos um protocolo de orientação terapêutica em casos de complicações orbitárias de rinosinusite aguda em idade pediátrica.

Resultados: Das 137 crianças admitidas por complicações orbitárias secundárias a rino-sinusite aguda, 73% não apresentavam antecedentes pessoais relevantes. A idade média de apresentação foi de 7 anos, sendo o edema palpebral e a dor ocular os sinais e sintomas iniciais mais frequentemente apresentados. Em relação à classificação imagiológica, a maioria apresentou-se como Chandler I (36%) seguida por Chandler III (31%). A associação da amoxicilina com ácido clavulânico foi o regime de antibioterapia mais frequentemente prescrito, tendo a maioria dos casos resolvido sem necessidade de intervenção cirúrgica (84%).

Conclusões: As complicações da rino-sinusite aguda são desafiantes pela potencial morbilidade que acarretam. O diagnóstico precoce e o tratamento médico agressivo, combinado em casos selecionados com o tratamento cirúrgico, permitem obter resultados favoráveis. A existência de protocolos de orientação terapêutica permite homogeneizar as práticas clínicas, sustentando as decisões dos médicos intervenientes.

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Publicado
2019-03-07
Como Citar
Calha, M., Levy, J., Rodrigues, P., Gouveia, V., Oliveira, V., & Luís, L. (2019). Complicações orbitárias de rinosinusite aguda em idade pediátrica: 10 anos da nossa experiência - Oportunidade para um protocolo terapêutico. Revista Portuguesa De Otorrinolaringologia-Cirurgia De Cabeça E Pescoço, 56(2), 73-78. Obtido de https://journalsporl.com/index.php/sporl/article/view/740
Secção
Artigo de Revisão