Prática baseada na evidência - O que sabemos depois de 1000 adultos disfónicos?

  • Paula Correia Terapeuta da fala do Serviço de ORL do Hospital Garcia de Orta, Mestre em Ciências da Fala e Doutoranda em Ciências da fala pela Universidade Católica Portuguesa, Coordenadora da Licenciatura em Terapia da fala da Escola Superior de Saúde Egas Moniz; Membro do Grupo Investigação em voz do Instituto Superior Ciências da Saúde da Universidade Católica portuguesa
  • Aldora Quintal Terapeuta da fala do Serviço de ORL do Hospital Garcia de Orta, Mestre em Psicologia do Desenvolvimento Sensorial e Cognitivo, docente da Escola Superior de Saúde Egas Moniz
  • Luís Antunes Diretor do Serviço de ORL do Hospital Garcia de Orta
Palavras-chave: patologias vocais, fatores de risco, variáveis preditivas

Resumo

Objetivo: identificar as variáveis sócio-demográficas, de comportamento vocal, hábitos, antecedentes pessoais e sinais/ sintomas significativamente preditivas para as patologias vocais mais frequentes.

Material e métodos: estudo epidemiológico de 1000 adultos disfónicos, de qualquer grau e etiologia, selecionados de forma aleatória, através de consulta do processo clínico, avaliação percetiva-auditiva, Voice Handicap Index (VHI), inventário clínico de autoconceito e escala de auto avaliação dos acontecimentos significativos da vida (SRRS). Considerou-se como critério de inclusão, para além da disfonia, terem idade superior a 18 anos. Foram retirados os dados de caracterização sócio-demográfica, antecedentes pessoais, comportamentos vocais, hábitos e sinais/ sintomas perfazendo um total de cinco fatores e quarenta e sete variáveis em análise. Para efeitos de referencial preditivo foi criado um grupo de 50 adultos sem antecedentes de disfonia recolhidos entre amigos e familiares destes.

Resultados: Todas as patologias vocais apresentam o contributo altamente significativo (p=0,00) de fatores de várias áreas. Os fatores comportamento vocal e hábitos contribuem significativamente (p=0,00) tanto para a patologia benigna como para a patologia maligna das pregas vocais.

Conclusão: Existe evidência para a necessidade de prestar orientações quer de prevenção primária quer de prevenção secundária mais abrangentes relativamente ao que concerne aos comportamentos de risco.

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Como Citar
Correia, P., Quintal, A., & Antunes, L. (1). Prática baseada na evidência - O que sabemos depois de 1000 adultos disfónicos?. Revista Portuguesa De Otorrinolaringologia E Cirurgia De Cabeça E Pescoço, 50(4), 311-318. Obtido de https://journalsporl.com/index.php/sporl/article/view/73
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Artigo Original