Complicações de miringotomias com colocação de tubos de ventilação transtimpânicos em crianças

  • Ana Margarida Machado Interno de otorrinolaringologia do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC)
  • Catarina Areias Interno de otorrinolaringologia do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC)
  • João Fonseca Neves Interno de otorrinolaringologia do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC)
  • Nuno Silva Interno de otorrinolaringologia do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC)
  • João Filipe Simões Interno de otorrinolaringologia do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC)
  • Pedro Tomé Assistente hospitalar graduado de otorrinolaringologia do CHUC
  • Luís Silva Diretor de serviço de otorrinolaringologia do CHUC
Palavras-chave: miringotomia, tubos de timpanostomia, criança, complicações

Resumo

Introdução: Apesar da simplicidade técnica da inserção de tubos de timpanostomia, como procedimento cirúrgico que é, não está isento de riscos. As sequelas pós-operatórias mais frequentes incluem a presença de otorreia, obstrução do lúmen do tubo, formação de tecido de granulação, extrusão prematura, migração do tubo para a caixa do tímpano, miringosclerose, atrofia ou bolsa de retração no local da miringotomia ou perfuração timpânica após saída do tubo.

Material e métodos: Amostra: crianças submetidas a miringotomia no Hospital Pediátrico do CHUC em 2013. Destas crianças foram recolhidas as seguintes informações: idade, género, indicação para miringotomia, complicações pósoperatórias documentadas e tempo de follow-up.

Resultados: Foram submetidas a miringotomia 169 crianças. A otite média com efusão foi responsável pela proposta cirúrgica em 97,6% dos casos. Colocaram-se 215 tubos de ventilação e as complicações mais frequentes foram: otorreia transitória (12,6%), recorrência de otite média efusiva após saída dos tubos (11,2%), obstrução do lúmen do tubo (4,7%), perfuração timpânica após expulsão do tubo (2,3%), episódios de otorreia recorrente (1,9%), diagnóstico posterior de colesteatoma (1,4%) e otite médias agudas de repetição após saída dos tubos (0,4%).

Conclusões: As taxas de complicações encontradas foram semelhantes a estudos de maior dimensão, com exceção da existência de colesteatoma após extrusão do tubo (maior que o expectável).

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Publicado
2018-10-19
Como Citar
Machado, A. M., Areias, C., Fonseca Neves, J., Silva, N., Simões, J. F., Tomé, P., & Silva, L. (2018). Complicações de miringotomias com colocação de tubos de ventilação transtimpânicos em crianças. Revista Portuguesa De Otorrinolaringologia E Cirurgia Cérvico-Facial, 56(1), 27-30. Obtido de https://journalsporl.com/index.php/sporl/article/view/379
Secção
Artigo de Revisão